Empresas têm preconceito ao contratar negros no Brasil

Estudo realizado pelo Grupo Croma aponta que a propaganda no Brasil ainda é considerada racista nos dias de hoje

Investigar as culturas humanas no tempo e no espaço, suas origens e seu desenvolvimento, suas semelhanças e diferenças a partir da compreensão da variedade de procedimentos culturais dentro dos contextos em que são produzidos contribui para erradicar preconceitos derivados do etnocentrismo, fomentar o relativismo cultural e o respeito à diversidade.

Mas será que o mundo só parou para falar de , depois do trágico assassinado do ex-segurança George Floyd nos Estados Unidos? E o caso João Pedro, será que teria caído no esquecimento?

O estudo Oldiversity, realizado pelo Grupo Croma, tem a intenção de investigar como as marcas estão ligadas à longevidade e diversidade de orientação sexual, gênero, raça e pessoas com deficiência, e mostrar como elas estão se adequando a novos anseios e realidades sociais.

Com uma pesquisa quantitativa, foram entrevistadas 1814 pessoas de diversas regiões do país, classes sociais (ABC), idade de 16 anos acima e opções sexuais variadas. 

A composição socioeconômica do estudo Oldiversity® é representativa do painel.

Mais da metade da amostra são mulheres (55%), da classe C (52%), casadas (58%), das regiões Sul e Sudeste do país (62%), com ensino superior e/ou acima (50%) e renda mensal de até R$ 9.370,00 (87%).

Um dos indicadores de destaque na pesquisa é que 18% dos entrevistados do estudo assumiram ter tido, pelo menos uma vez, atitudes racistas.

Apesar de questionável, pelo fato desse percentual ser potencialmente maior, reconhecer o racial é ponto de partida para alguma mudança. 

Nesse sentido, 37% concordam que a propaganda no Brasil ainda é racista. Com o passar dos anos, depois do avanço das redes sociais, as marcas começaram a dar mais atenção não só aos negros, mas ao público LGBTI em comerciais e propagandas.

Ao mesmo tempo, outros indicadores também chocam: 3% ou seja, 55 pessoas do estudo declararam achar estranho ser atendido por um negro.

Outros 56% assumem que as têm preconceito ao contratar negros e 32% dizem que as marcas presentes no Brasil reproduzem comportamentos preconceituosos.

Além disso, 16% acreditam que as marcas correm risco ao associar sua imagem a negros.

Se o preconceito racial explícito existe, o velado parece ser igualmente presente, já que 70% acreditam que a diversidade deve fazer parte das empresas e marcas.

Esse paradoxo cria uma gestão absolutamente complexa para as marcas, que são atacadas ou criticadas quando assumem ou não uma posição.

Acho a propaganda no Brasil extremamente preconceituosa e racista. Para mim, só isso explica de onde saíram os padrões e conceitos dessas “mulheres brasileiras da propaganda”.

Diverse religious shoot

Eu não as conheço, só podem ser inventadas. As propagandas não sabem quem é a população brasileira. Sou paulista, moro no Rio de Janeiro e por aqui ainda vejo alguns negros em propagandas, outdoors.

Mas em São Paulo é muito mais raro. E pensar que os negros já são 54% da população, são a maioria deste país que eles ajudaram a criar, a construir, e são tratados com desdém.

O mesmo acontece com os gays, os índios e os orientais, sempre ignorados nas propagandas brasileiras.

É como se não existissem.  Há mesmo muita discriminação, tudo muito desigual. Era para termos evoluído, mas às vezes tenho a sensação de que é o fim dos tempos.” afirma a atriz Zezé Barbosa. 

Um fato inegável e triste é que a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, sendo a população que mais morre violentamente.

Talvez esses dados possam servir como mais um alerta para a quebra de padrões estéticos racistas e promover uma verdadeira inclusão social, ampliando a presença dos negros na publicidade e no quadro de funcionários das empresas.

O “eu não consigo respirar”, últimas palavras de Floyd, virou grito de guerra para os manifestantes, que se espalharam por várias cidades do Estados Unidos e do mundo. No Brasil, o tema invadiu as redes sociais, imprensa e grandes mídias. 

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