Leite materno: Inúmeros benefícios nutricionais e imunológicos para o bebê

Pesquisa científica desmistifica a crença de que é fraco se for de adolescente ou em idade materna avançada

Fatores imunológicos proporcionados pela são objetos de estudados nos extremos da gestação: da adolescência à idade materna avançada, em comparação com mulheres de faixa etária no meio termo.

Dentre as constatações está a de que o é muito rico, independentemente da idade da mulher.

Isso desmistifica a crença de que seja fraco nas idades maternas extremadas, mesmo diante da necessidade de outros estudos sobre a composição desse tipo de leite.

Artigo sobre a pesquisa desenvolvida junto ao Programa de Mestrado em Ciências da Saúde, ofertado pela Unoeste, acaba de ser publicado na revista científica internacional Plos One, publicada pela Public Libray of Sicience, sediada em São Francisco, na Califórnia (EUA).

A autora do estudo, enfermeira especialista em obstétrica e professora no curso de Medicina da Unoeste, Denise Vasconcelos de Jesus Ferrari, conta que em sua pesquisa buscou várias informações.

O foco principal esteve voltado para a concentração de citocinas no colostro em extremos de idade reprodutiva.

O colostro é a primeira secreção láctea, produzida entre o segundo e terceiro dia após o parto, que contém vários componentes, entre os quais as citocinas, geradores de inúmeros benefícios nutricionais e imunológicos para o recém-nascido.

O estudo também contemplou características sociodemográficas, gestacionais e perinatais para melhor avaliar possíveis interferências na qualidade do leite materno.

Extremos da gestação – Na Maternidade do Hospital Regional (HR) Dr. Domingos Leonardo Cerávolo, em Presidente Prudente (SP), o estudo envolveu três grupos, assim formados: 177 adolescentes, 39 de idade materna avançada, 158 em idades intermediárias e classificadas como grupo controle, que serviu para fazer comparativos.

As respectivas faixas etárias são de 10 a 24 anos, acima de 35 anos e de 25 a 34 anos. A adolescência que antes era definida até 19, saltou para os 24 anos.

No lado inicial dos extremos em gestação, a gravidez na adolescência é classificada mundialmente como problema de saúde pública, por causa das repercussões sociais e biológicas, tais como: abandono escolar, isolamento social, instabilidade emocional, maiores taxas de complicações durante o período e união estável precoce.

Estas e outras condições podem resultar na restrição do crescimento intrauterino, parto prematuro e recém-nascido com baixo peso.

No lado final dos extremos, a mulher em idade materna avançada pode apresentar aumento de complicações obstétricas como hemorragia no parto, hipertensão induzida pela gestação, diabetes, gestação prolongada e ruptura prematura de membranas com o consequente parto prematuro.

Assim como na adolescência, a gravidez tardia tem sido cada vez mais frequente por causa de casamentos tardios; maiores taxas de divórcios e novas uniões; e os avanços da tecnologia da reprodução assistida, entre outros motivos.

Melhor compreensão

O estudo com o artigo publicado na revista científica norte-americana mostra que as variáveis gestacionais, incluindo fatores econômicos e sociais, podem influenciar na composição do leite materno, mas que nem por isso este deixa de ser um alimento muito rico.

O estudo também contribui para melhor compreensão sobre o tema em debate mundial sobre a necessidade do aleitamento materno e sem o desmame precoce, para favorecer a qualidade de vida da criança e da mãe.

O aleitamento materno faz parte das estratégias da Organização Mundial de Saúde (OMS) para reduzir a mortalidade infantil, inclusive como estratégia principal.

O que evidência a importância da pesquisa com amostras de colostro obtidas por ordenha manual, entre 48 e 72 horas após o parto. As médias de idades das mulheres foram de 20 e 37 anos.

As amostras coletadas, no máximo 10 ml por parturiente, foram congeladas a 80 graus negativos. Um estudo complexo, mas que em síntese avaliou a qualidade do leite materno em extremadas idades reprodutivas.

As análises foram realizadas no Laboratório de Imunopatologia da Relação Materno-fetal, no campus da Unesp em Botucatu. Houve também contribuição da pesquisadora científica Erika Kushikawa Saeki, diretora técnica do Núcleo de Ciências Químicas e Bromatológicas do Centro de Laboratório Regional Instituto Adolfo Lutz de Presidente Prudente.

Estiveram envolvidos em iniciação científica os estudantes Lucas Lima de Moraes e Letícia de Aguiar Campos, respectivamente dos cursos de Enfermagem e Biomedicina da Unoeste.

Por Denise Vasconcelos: autora da pesquisa que contempla o incentivo ao aleitamento materno

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