Máscaras de proteção respiratórias se tornam EPI

O deve ser utilizado por todos e não apenas durante o trabalho

Foi determinado pelo João Dória, Governador de São Paulo, no último dia 7 de maio, o uso obrigatório de em locais públicos, com o objetivo de reduzir o risco de transmissão da Covid-19. Com isso, ela acabou se tornando um equipamento de proteção individual necessário a toda classe trabalhadora.

Segundo dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), a cada 48 segundos um trabalhador sofre algum tipo de acidente e um morre a cada 4 horas em decorrência de suas atividades profissionais.

Além dos riscos, atualmente, os trabalhadores também estão expostos ao contágio da nova doença, por isso, se antes o uso dos EPI’s era necessário para a segurança e saúde individual, agora é ainda mais, sendo de fundamental importância o seu uso correto e consciente por todos.

As máscaras de proteção respiratórias caseiras, apesar de, por definição, não serem encaradas como EPI’s, na prática, podem ser consideradas como tal, já que possuem papel fundamental na proteção coletiva, uma vez que o maior benefício do uso se dá pela contenção da emissão de gotículas respiratórias, protegendo o usuário e as pessoas aos seu redor.

“Tecnicamente, a máscara respiratória caseira não pode ser considerada um EPI, pois, ele precisa ser aprovado pelo INMETRO e possuir um número de certificado de aprovação, que garante que aquele equipamento de fato possui a eficiência esperada.

Porém, o Ministério da Saúde se pronunciou reconhecendo sua eficácia e lançou um tutorial em seu site para que as pessoas confeccionem as máscaras corretamente”, comenta o médico do trabalho da Trabt Medicina e Segurança do Trabalho, Renan Paiva Moreno.

Infelizmente ainda existe uma certa resistência por parte de alguns empregados a respeito do uso dos EPI’s, por isso, é recomendado que as empresas implementem ações que mudem esta realidade. “A importância do uso dos EPI’s se dá, principalmente, referente a saúde do trabalhador. A falta de equipamento pode expô-lo ainda mais aos riscos ocupacionais e causar adoecimentos”, explica Renan, sobre qual o principal ponto abordado nas palestras e treinamentos de conscientização do uso dos equipamentos.

Empresas como a Trabt, por exemplo, têm papel fundamental na segurança e na saúde do trabalhador, pois são elas que realizam os treinamentos, palestras e apontam aos empregadores quais são os pontos de melhoria dentro das organizações. “Os EPI’s são de responsabilidade dos empregadores. As empresas contratantes são obrigadas por lei a fornecer os equipamentos necessários para a proteção dos riscos durante as atividades de trabalho, e, apesar de legalmente a máscara de proteção caseira não ser um EPI, entendo que é de bom tom, o empregador fornece-las aos seus empregados durante o horário de trabalho”, esclarece o médico.

Importante ressaltar que para os empregadores, o uso dos EPI’s é a garantia de proteger seus colaboradores de qualquer tipo de acidente, inclusive para os casos em que se faz necessária a intervenção jurídica em causas trabalhistas.

Além disso, caso a empresa não cobre o uso por parte do funcionário, é praticamente certa que uma possível causa trabalhista seja ganha pelo empregado.

Por outro lado, no caso da empresa disponibilizar e recomendar o uso dos equipamentos e, mesmo assim, o trabalhador não o fizer, é praticamente certo que a causa será dada em benefício à empresa. “Legalmente, não existe uma multa para o trabalhador que não usar o EPI, porém a empresa pode aplicar sanções disciplinares, como advertência, suspensão e até demissão por justa causa. Os EPI’s são a garantia de segurança, saúde e até mesmo de futuros problemas jurídicos para ambas as partes. Fazer o uso dele faz com que todos saiam ganhando”, finaliza Renan.

O EPI de toda a população

No momento atual, todos nós estamos expostos ao risco do contágio do novo Coronavírus, por isso, somos obrigados, por lei, a fazer uso das máscaras de proteção respiratórias.

Porém, diferente de outras culturas, nós, brasileiros, não temos o costume de utiliza-las, o que pode causar certo estranhamento à princípio.

Este foi o caso do publicitário Leonardo Antunes, que nunca trabalhou em uma função que exigisse o uso de EPI’s, mas no atual momento, para trabalhar, é obrigado a utilizar a máscara. “Nunca trabalhei usando EPI, mas reconheço a importância. Acredito que eles salvam vidas e a prevenção é sempre o melhor caminho. Por isso, mesmo que seja desconfortável, acredito que é necessário fazer o uso das máscaras respiratórias e será por muito tempo. Então, todos precisaremos nos adequar a isto”, comenta.

Não basta apenas fazer o uso das máscaras, para que ela seja eficaz, é preciso se atentar a alguns cuidados, como lavar as mãos antes de toca-la, coloca-la pelos elásticos, evitando encostar na parte da frente, e prestar atenção se o material com que elas foram feitos são os recomendados pelos órgãos de saúde.

No mais, as de tecido precisam ser trocadas a cada duas horas e as cirúrgicas devem ser trocadas sempre que ficarem úmidas.

Foi o que Leonardo fez, o rapaz que antes não possuía nenhuma máscara, agora já tem uma pequena coleção. “Tenho umas cinco máscaras já, gosto de variar”, finaliza rindo.

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